O ACP e a Mobilidade e Comunicabilidade

Recebemos da APTEC (Associação Pessoas e Tecnologias na Inserção Social) a seguinte carta com pedido de publicação

Exmº Senhor
Presidente do Automóvel Clube dePortugal
R.Rosa Araújo,
24/51250-195 Lisboa

N/ Refª:: EAPTEC 105K/2005 – Almada, 19/05/ 2005

Assunto: Apoio do Automóvel Clube de Portugal aos seus sócios em situações especiais de comunicabilidade e mobilidade. Proposta de apoio à implementação de soluções pelo A.C.P.

Exmº Senhor Presidente do Automóvel Clube de Portugal,

Sendo sócio do A.C.P. e tendo conhecimento da chamada Linha de Apoio, criada pela Instituição presidida por V. Exº, resolvemos testá-la através da modalidade de comunicação por telemóvel e com uso do chamado S.M.S.

Não recebemos nenhuma mensagem a confirmar o envio da referida mensagem. De todas as ocasiões que fizemos a referida tentativa veio sempre a resposta de que se encontrava “pendente”.

Felizmente que essa mensagem e numa atitude de prudência era só um teste.

Efectivamente, como estamos afectados por surdez profunda desde a infância, só podemos comunicar de um modo bilateral com outrem por telemóvel através do chamado S.M.S. Podemos falar de voz pelo telemóvel, mas não podemos ouvir a resposta do interlocutor no caso de ser feita por voz.

Este facto deixou-nos deveras preocupado quanto à capacidade de o A.C.P. dar resposta não só a sócios  como nós, mas também a outros cidadãos com problemas específicos de comunicabilidade e mobilidade. E não apenas isso, mas também à atitude dos demais sócios do A.C.P. relativamente a esses cidadãos.

Neste momento estimamos que já circulam nas estradas portuguesas mais de 2.000 cidadãos com surdez profunda congénita ou adquirida. Não incluímos aqueles que padecem de surdez parcial nos seus vários graus.

Falando pela nossa própria experiência em que durante 33 anos já conduzimos viaturas automóveis, sem qualquer acidente imputável à nossa situação de surdez profunda, podemos dizer que, ( ao contrário de uma certa publicidade de uma firma de aparelhos auditivos recentemente inserida nas páginas da revista do A.C.P. ) a surdez em si não é impeditiva de um cidadão fazer uma boa condução com prudência, atenção e sentido de responsabilidades. O importante, para além dessas capacidades, é de ter “os olhos bem abertos”.

Assim, V.Exª bem pode calcular a n/ estranheza por chegarmos a esta constatação de o A.C.P. ainda não ter dado a devida atenção aos cidadãos atrás referidos.

E essa constatação ainda é maior se soubermos que há uns anos atrás, fizemos diligências pessoais junto de uma das anteriores Direcções do A.C.P. no sentido de sensibilizar para estas questões.

Mas, e como não é timbre nosso, nem da n/ Associação apresentar problemas sem sugerir soluções, pensamos que um Curso sobre “Surdez & Comunicabilidade” já poderá ajudar os dirigentes e funcionários do A.C.P. a fruir de um melhor conhecimento e sensibilização sobre aquilo que, de um modo genérico, podemos classificar como “ Ser Surdo neste Portugal do 2º Milénio”.

Caso haja receptividade quanto a esta nossa proposta, estamos disponíveis para prestar informações complementares. 

Sem outro assunto de momento e inteiramente à disposição de V.Exº, subscrevemo-nos. 

Com os mais cordiais cumprimentos, 

Daniel Brito e Cunha ( Presidente da Direcção )
Associação Pessoas & Tecnologias na Inserção Social – APTEC

C.C.:
– ONG´s Portuguesas de Surdos.
– Direcção Geral de Viação
– Administração do B.P.I.

A Associação de Surdos do Porto (ASP), sendo uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), mantém os mesmos objetivos desde a sua criação, que é defender os Direitos das Pessoas Surdas para que fiquem em pé de igualdade dos demais cidadãos, bem como zelar pelos seus deveres.

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