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"Uma comunidade surda é um grupo de pessoas que vivem num determinado local, partilham os objectivos comuns dos seus membros, e que por diversos meios trabalham no sentido de alcançarem estes objectivos. Uma comunidade surda pode incluir pessoas que não são elas próprias Surdas mas que apoiam activamente os objectivos da comunidade e trabalham em conjunto com as pessoas Surdas para os alcançar".(Padden, Carol)

"A maioria das pessoas que nasceram surdas ou ficaram surdas com pouca idade e que cresceram fazendo parte da comunidade surda consideram-se como pessoas fundamentalmente visuais, com a sua própria língua visual, organização social, história e hábitos: resumindo, com a sua própria maneira de ser, a sua própria língua e cultura". (Lane, Harlan)

Estas são citações de linguistas que escreveram recentemente sobre a natureza da comunidade surda. No entanto, historicamente, a sociedade em geral não via as pessoas surdas deste modo, o modo que nós, como pessoas surdas, nos vemos a nnós mesmos. As pessoas surdas sempre se sentiram diferentes das pessoas ouvintes e instintivamente sentem-se parte da comunidade Surda que tem a sua própria língua para comunicar. Uma comunidade onde não ser capaz de ouvir e/ou falar não é visto como um problema.

"No entanto, como a língua e o intelecto estão tão ligados no que é a nossa percepção das pessoas (ficamos surpreendidos ao ouvir uma pessoa distinta e intelectual falar num dialecto a não ser que o faça propositadamente), as pessoas ouvintes viam as pessoas surdas como pessoas com uma audição defeituosa, como pessoas deficientes que necessitavam de ajuda e assistência e todo o tipo de serviços. Por outras palavras as pessoas surdas eram vistas como casos patológicos que necessitavam de tratamento". (Lane, Harlan)

Então, em 1965 um linguista Americano propôs uma nova descrição da Língua Gestual, baseada somente em princípios linguisticos, que veio quebrar os pressupostos existentes. Ao mesmo tempo este linguista propôs uma descrição das características "sociais" e "culturais" das pessoas Surdas que usam a Língua Gestual Americana. Em retrospectiva, os seus escritos constituíram um marco, um ponto de viragem na história dos Surdos. Nos anos 60 era revolucionário descrever as pessoas surdas como constituindo um "grupo cultural". Os médicos e outros profissionais que trabalhavam nas ciências físicas e de educação descreviam as pessoas Surdas tipicamente em termos da sua condição médica: a perda auditiva. Estes profissionais nunca prestaram uma atenção séria ao facto de que as pessoas surdas formam grupos, grupos onde os membros que os formam não sentem "deficiências" e onde as necessidades básicas dos membros individuais sã satisfeitas, como em qualquer outra comunicação entre seres humanos. (Padden, Carol)

Assim, a visão mais tradicional sobre as pessoas surdas, prevalecente na influente classe médica, é que a principal característica da surdez é falta de alguma coisa, como a audição e/ou capacidade de comunicar. Esta é a abordagem clínico- patológica da surdez e baseia-se frequentemente em dados psicológicos ou educacionais. Esta visão é também prevalecente no seio da comunidade ouvinte. (Kyle, J.G. e Woll, B.)

Os linguistas, descrevendo as pessoas Surdas como formando uma "comunidade linguistica" representam assim uma ruptura com a longa tradição de se considerar as pessoas Surdas "patologicamente". E ainda mais importante, esta nova visão trouxe consigo um reconhecimento público e oficial de um aspecto fundamental da vida das pessoas Surdas: a nossa cultura. (Padden, Carol)

Assim, estas visões não são simplesmente diferenças de atitude: elas têm profundas implicações sobre o modo como as pessoas surdas são tratadas. A abordagem médica enfatiza o que falta nas pessoas surdas e assume como primeira prioridade a " normalização" das pessoas Surdas, enquanto que a visão mais recente implica aceitação (embora nem sempre a compreensão) das pessoas Surdas como um grupo separado com as suas próprias organizações e tradições. (Kyle, J. G. e Woll, B.)

Em conclusão, as pessoa Surdas vêem-se a si mesmas como uma minoria cultural e linguistica. Cultural, porque fazem parte da Comunidade Surda e uma minoria porque vivem na Sociedade maioritária das pessoas ouvintes.

Um dos principais objectivos das comunidades Surdas, Nacionais e Europeia, é o de conseguir reconhecimento oficial como minoria cultural e linguística. Procuramos a aceitação pública das pessoas Surdas como iguais - iguais na cidadania, no emprego, na representação política e no controle das instituições que envolvem pessoas Surdas tais como escolas e organizações de serviços. Um objectivo igualmente importante é a aceitação e reconhecimento da nossa história e do nosso uso da Língua Gestual como um meio de comunicação. (Padden, Carol)

Dois passos importantes para alcançar estes objectivos foram já dados com o apoio do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia.

RESOLUÇÃO DO PARLAMENTO EUROPEU SOBRE LÍNGUAS GESTUAIS PARA SURDOS

O Parlamento Europeu, através da sua Resolução de 17 de Junho de 1998, reconheceu a Língua Gestual como uma Língua usada pelas pessoas Surdas e o direito das pessoas surdas usarem a Língua Gestual. A resolução delineia uma série de medidas para promover o uso das Línguas Gestuais e apela aos Estados Membros, à Comissão Europeia e às autoridades dos média a agirem.

Primeiro e além de tudo, a resolução apela à Comissão Europeia que prepare uma proposta respeitante ao reconhecimento oficial das Línguas Gestuais usadas pelas pessoas surdas em cada Estado Membro da EU. Também foi pedido aos Estados Membros que abolissem quaisquer obstáculos ainda existentes ao uso da Língua Gestual, reconhecendo a interpretação Gestual como uma profissão e estabelecendo formação a tempo inteiro de Intérpretes de Língua Gestual e programas de emprego.

Entretanto, as instituições da EU devem dar o exemplo providenciando a interpretação em Língua Gestual nas reuniões por elas organizadas e às quais assistiam pessoas Surdas. Os Estados Membros devem assegurar que toda a informação governamental relevante, sobre benefícios da segurança social, saúde e emprego, seja produzida em formatos acessíveis, usando, por exemplo, Língua Gestual em vídeo para as pessoas surdas. Os Estados Membros são também instados a apoiar projectos para o ensino da Língua Gestual a Crianças e Adultos Ouvintes, utilizando para isso Professores Surdos com formação, e a apoiar a investigação e a publicação de dicionários actualizados das suas respectivas Línguas Gestuais nacionais.

Os programas de TV, especialmente os programas de notícias e aqueles de interesse político, devem incluir tradução em Língua Gestual ou Legendagem. Os serviços de teletexto devem estar disponíveis em larga escala.

PROJECTO DAS LÍNGUAS GESTUAIS DA EUD 1996/97

O Parlamento Europeu e os membros do Inter-grupo da Deficiência atribuíram 500.000 ECU EM 1995 de modo a permitir à EUD lançar um Projecto das Línguas Gestuais em toda a Europa. Este trabalho pretendeu-se cimentar o caminho para uma total implementação da Resolução de 17.06.1998 do Parlamento Europeu sobre as Línguas Gestuais para os Surdos.
O Projecto das Línguas Gestuais 1996/97, montado pela EUD, tem por objectivo dar uma visão interior da situação das Línguas Gestuais e da situação das pessoas Surdas nos Estados Membros da EU. O Projecto tem cinco pedras lapidares:

  1. uma pesquisa sobre a situação das Línguas Gestuais na EU,
  2. um trabalho em rede a nível nacional e por toda a Europa,
  3. um curso introdutório sobre as Línguas Gestuais e a Cultura dos Surdos,
  4. uma conferência Europeia sobre a situação e perspectivas futuras das Línguas,
  5. a publicação de Boletins com fins informativos e destinados a criar uma melhor compreensão, entre o público em geral, pelas questões ligadas aos Surdos.

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