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Relatório de José Pedro Amaral

Universidade Presbiteriana Makenzie - S. Paulo - Brasil


José Pedro Amaral

A convite do Grupo Brasil de Apoio ao Surdocego e ao Multideficiente, na Pessoa da Drª Shirley Rodrigues Maia, participei, com o maior prazer e carinho, no Iº Encontro Ibero-latino-americano de Surdocegueira e Multideficiencia que se realizou nos dias 28 a 31 do mês de Outubro de 2002 no complexo universitário da Universidade Peresbiteriana Makanzie, Auditório Rui Barbosa, na cidade brasileira de S. Paulo a que foi dado, e muito oportunamente, o tema: Atravessando Fronteiras, Construíndo Conhecimentos.
Da minha presença e participação no 1º Encontro Ibero-latino-americano de Surdocegueira e Multideficiência podem ser destacadas, para além da minha busca de identificação com os meus pares e com o meio, a constatação gritante e mais que evidente de que urge levar a cabo a elaboração de um projecto para que se crie, em Portugal uma Estrutura capaz de dar resposta ás necessidades socioculturais e de comunicação, de reabilitação e inserção da população de surdocegos não só na família como na sociedade e no mercado de trabalho.
A população de surdocegos, congénitos ou adquiridos, crianças, adultos ou idosos necessita, pela sua especificidade, não só de técnicos especializados e qualificados, sobretudo na área da comunicação e de guias-intérpretes, mas também de estar apoiada pelas instituições que tutelam a área da educação e todas aquelas áreas que dizem respeito à habilitação, reabilitação, inserção social e interactividade das Pessoas Portadoras de Deficiência na sociedade em geral.
Pude constatar, com um certo sentimento de vergonha de ser português, o quanto os países Latino-americanos de baixos recursos económico-financeiros, como são o caso do Brasil, a Colômbia e o Peru, tem vindo a conseguir erguer em torno das suas populações de surdocegos e multideficientes, tendo, até, criado um programa expecíficamente vocacionado para esta área - o POSCAL - Programa de Surdocegos da América Latina - que, com os seus magros recursos económicos, tem vindo a conseguir edificar e a erguer uma estrutura de apoio e de interajuda e interactividade que torne real o sonho de todos os surdocegos, neste caso, da América-latina de serem Pessoa e parte integrante, participativa e contributiva na sociedade dos dias de hoje.
É opinião expressa, e unânime, de todos aqueles quantos participaram neste encontro, que "ser-se diferente" não pode, não é, nem deve ser, sinónimo de "incapaz", "coitadinho" ou mesmo improdutivo; mas sim uma forma, também ela diferente, de contribuir para a construção de um "puzzle" social composto por "peças" com formas totalmente diferentes, mas capazes de nos presentear com imagens de paisagens muito belas; como mais bela será a sociedade em que cada membro desta saiba reconhecer e reconhecer-se no quão importante é para o equilíbrio emocional e social o reconhecimento das diferenças de cada um e de todos.
Mas para que tudo isto seja possível importa que, todos juntos, saibamos dar as mãos, assumindo o nosso papel de acordo com as circunstâncias de cada um e abstermo-
-nos de fugir ás nossas responsabilidades sociais e familiares.
Urge, portanto, começarmos por nos unirmos por esta causa, procurando localizar todo o tipo de Pessoas Surdocegas, congénitos, adquiridos, crianças, jovens, adultos e idosos, com as mais diversas patologias associadas, por forma a que ao constatar-
-se as suas realidades e necessidades se possa, então, começar a traçar as "linhas mestras" de um Programa de Surdocegos, não só em Portugal, mas também no continente europeu, idêntico ao POSCAL da América-Latina.
Proponho para tal que se estabeleçam contactos para começar a traçar as tais "linhas mestras" do projecto e seu desenvolvimento. Neste sentido saliento a SENSE International UK, o NORDIC STAFF CENTER na Dinamarca, o Ministério da Educação, Ministério da Saúde e o Ministério do Trabalho e da Segurança Social, dado que são as instituições adequadas para, em equipa, elaborar-se, e executar-se, o projecto que atrás referi. Sem nunca esquecer o movimento associativo, na pessoa das Associações de Surdos, de Cegos e de outras deficiências onde poderão estar inseridas pessoas surdocegas por terem associadas à surdocegueira outras patologias que também deverão ser tomadas, e tidas, em conta como a paralisia cerebral, sindroma de Down e/ou outras.
É da união que nasce a força, e desta a riqueza de um grupo! Vamos pois dar as mãos e construir um mundo melhor; para todos!

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