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Andreia Lobo
Jornal "a Página" , ano 12, nº 127, Outubro 2003, p. 22


Chama-se língua e não linguagem gestual. Tem uma gramática própria, baseia-se na observação visual e não se aprende em duas semanas. Por isso muitos dos que chegam à Associação de Surdos do Porto (ASP) com vontade de aprender a língua gestual acabam por desistir do curso. Armando Baltazar, presidente da ASP tem uma explicação para estas desistências. Diz que “o adulto ouvinte está viciado no som”. Logo, tem uma maior dificuldade em se habituar à “regra do silêncio”.

Por ser uma questão de hábito, Armando Baltazar defende que a aprendizagem da língua gestual - tanto por ouvintes como por surdos - comece “o mais cedo possível”. E se faça, no caso das crianças surdas, em simultâneo com a aprendizagem da leitura e da escrita. Caberia, depois, aos intérpretes a função de ajudar a criança a aprender as matérias dadas pela professora primária.

O acesso das crianças surdas à língua gestual preocupa a ASP.“Há cada vez mais jovens surdos com fraco acesso à língua gestual. Há muitas famílias que impedem as suas crianças surdas de contactarem com adultos urdos”, lamenta. “A família tenta mudar a criança surda. Mas é impossível transformá-la numa criança ouvinte. Era melhor que a família se adaptasse à criança.”

Os problemas das crianças surdas começam no seio da família e prolongam-se na escola. Não é difícil perceber porquê. Para poder comunicar a criança surda tem de dominar a língua gestual. Depois tem de conseguir “ouvir” as aulas com o recurso a um intérprete ou à leitura labial. Mas a aprendizagem da leitura labial é complicada e ainda que o aluno domine a técnica, a sua utilização requer do professor um controle dos seus movimentos para, por exemplo, evitar falar enquanto escreve no quadro e não falar depressa. Daí que o recurso aos intérpretes seja o mais aconselhável.

A Direcção Regional de Educação do Norte conta com seis intérpretes e onze formadores surdos de língua gestual para dar apoio às escolas com crianças surdas. “É pouco - desabafa Armando Baltazar - mas já é melhor do que nada!” O mesmo não se pode dizer da actuação do Ministério da Educação nesta matéria.

Numa altura em que se comemora o Ano Europeu da Pessoa com Deficiência, o presidente da ASP critica a falta de intervenção do Ministério de Educação no que toca à promoção de cursos que permitissem aos professores interessados em trabalhar com crianças surdas “criar bases sólidas de formação”. Por isso lança um aviso: “Não basta a vontade de alguns professores que chegam a aprender língua gestual fora do seu horário de trabalho!”

Empregabilidade

Da sua experiência, Armando Baltazar sabe quais são as principais dificuldades de aprendizagem que enfrentam as pessoas surdas. “Enquanto um aluno ouvinte se estiver atento ao que o professor diz leva para casa um resumo mental e escrito da matéria dada. Um aluno surdo leva páginas e páginas do livro para ler”, explica. “Porque se o professor for bom a explicar o aluno ouvinte pode ter num parágrafo a síntese de uma página do livro. O aluno surdo não.

Daí que outra das preocupações da Associação de Surdos do Porto se prenda com a empregabilidade dos jovens surdos. “É que saber ler é uma coisa, saber compreender é outra!”, nota Armando Baltazar. Por ele têm passado muitos jovens com o certificado do 12º ano “sem saber nada”.

“Acho que as escolas deveriam insistir mais no ensino da língua portuguesa, tanto na sua forma escrita como oral”, afirma o presidente da ASP. “Pois se um jovem é fraco no português escrito é fraco em todas as disciplinas. O problema - critica Armando Baltazar - é que na escola o professor facilita a avaliação do aluno surdo, mas o importante não é facilitar, é ajudar!”.

Para Armando Baltazar “ainda que o aluno surdo reprovasse um ou dois anos seria fundamental que ele passasse o ano a saber o que lhe foi ensinado!”

Diz que nunca quis ser tratado de forma especial. Talvez, por isso, insista para que pais e professores tratem a criança, o jovem, o adulto surdo da mesma forma que tratariam um ouvinte.

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