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CIPS - Centro de Integração Profissional para Surdos  | 

CIPS - A origem


(Centro de Integração Profissional para Surdos)

 

é

 

uma parceria entre a Associação de Surdos do Porto (ASP)
e a Associação de Pais para a Educação de Crianças Deficientes Auditivas do Porto (APECDAP)


Projecto apresentado ao PROGRAMA OPERACIONAL, EMPREGO, FORMAÇAO E DESENVOLVIMENTO SOCIAL (POEFDS)


  1. As instituições parceiras

    A ASP foi constituída em 9 de Agosto de 1995 sucedendo ao Grupo Desportivo Surdos-Mudos do Porto (1951-1974) e, posteriormente, à Delegação do Porto da Associação Portuguesa de Surdos (1974-1995).

    A ASP é uma Instituição Privada de Solidariedade Social com sede na Rua da Alegria no Porto.

    A ASP é presidida pelo Sr. Armando Baltazar e destaca para dirigir este projecto a sua Técnica de Serviço Social Dra. Catarina Braga Clemente (catarina.braga@asurdosporto.rcts.pt). Mais informações disponíveis em http://www.asurdosporto.rcts.pt

  2. A APECDAP, teve origem na Delegação do Porto da APECDA, fundada em 1979, tendo-lhe sido cedida em 1982, pela Junta de Freguesia de Campanhã, a sede, na Rua das Escolas, que actualmente ocupa. Em 1997 completou um importante passo autonomizando-se da APECDA nacional. Fundou-se a APECDAP, também uma Instituição Privada de Solidariedade Social.

    A APECDAP é presidida pelo Dr. Arnaldo Lucas e destaca para dirigir este projecto o seu Director Técnico, o professor do 1º ciclo José C S Felício (felicio@apecdap.org). Mais informações disponíveis em http://apecdap.org

  3. Contexto e problematização

    As instituições parceiras dispõem de vasta experiência no apoio da População Surda do Distrito do Porto e até de todo o Norte do País. Têm, assim, conhecimento directo da realidade da integração profissional dos Surdos que pode ser caracterizada da seguinte forma:

    1. Escolaridade pouco consistente

      Limitadas no acesso à escolaridade ou integradas nas escolas mas segregadas por um ambiente que as não entendia, as crianças Surdas raramente tiveram oportunidades iguais. Só a partir do Decreto-Lei 319/91, de 23 de Agosto, se começaram a criar condições nas escolas para receber estas crianças e só recentemente se fixaram aí intérpretes e professores de ensino especial em quantidade e qualidade. Durante muitos anos, as APECDAs, o Instituto António Cândido e o Instituto Araújo Porto foram as únicas alternativas para a educação de crianças Surdas no Norte do Pais, sendo a APECDA do Porto a única instituição a integrar estas crianças sistematicamente no ensino regular e pioneira a integrar a Língua Gestual no seu curriculum. Perante este panorama, não é de estranhar que, ainda hoje, sejamos confrontados com crianças e jovens sem escolarização e, até, sem diagnóstico clinico, de zonas mais remotas ou apenas degradadas. Para trás ficou um número não determinado de jovens, já adultos, no limiar do analfabetismo e sem qualquer oportunidade de acesso ao mercado de emprego ou à formação profissional.

    2. Desadequação perante as alternativas de formação profissional

      Poderia parecer que, limitados no acesso ao emprego, os jovens adultos surdos encontrassem na formação profissional senão um patamar propedêutico, pelo menos, uma alternativa dilatória do problema. Não é assim. A formação profissional está claramente concebida para a população não deficiente ou, então, para a população com deficiência mental e motora em maior ou menor grau. Duplamente penalizados pela barreira da comunicação e pela deficiente preparação escolar, os surdos revelam-se incapazes de se integrar em classes de formação profissional de alunos ouvintes sem deficência, não Ihes restando qualquer alternativa aceitável. As instituições parceiras deste projecto têm tentado encontrar soluções para este problema tendo a ASP uma experiência assinalável na formação de Monitores de Língua Gestual e, até recentemente, de Intérpretes de Língua Gestual. A APECDAP tem programas de reabilitação da escolaridade, principalmente nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática que também se constituem como um buffer a alternativas mais consistentes.

    3. Incapacidade de integração profissional

      O acesso ao emprego obedece às mesmas condicionantes das fases anteriores.
      A barreira da comunicação e a deficiente formação académica e profissional agravam, para este grupo específico, as dificuldades que tem o cidadão comum de país com uma economia em crise que produz escassas oportunidades para os seus. Funcionalmente capazes de se integrar no aparelho produtivo de uma empresa, os surdos não justificam os apoios à baixa produtividade reservados a outros deficientes. Mas no quotidiano, são segregados socialmente, não entendem as ordens ou a hierarquia da empresa rapidamente entrando em ruptura afectiva, despedem-se ou são despedidos, reforçando uma história pessoal de insucesso.


    Os problemas aqui descritos são a génese do CIPS. Os técnicos das Associações parceiras neste projecto conhecem-nos bem e querem participar na sua solução.

  4. Objectivos do CIPS

    Perante o que ficou dito podem, claramente, ser definidos os seguintes objectivos:

    1. Proporcionar de forma recorrente a formação básica indispensável para a integração nas estruturas regulares de Formação Profissional disponíveis

      Como se disse, os surdos confrontam-se com dificuldades inerentes à sua deficiente formação escolar. Esta dificuldade situa-se não só ao nível dos conteúdos não aprendidos e daqueles aprendidos e entretanto esquecidos por inactividade escolar, mas também ao nível de técnicas de estudo, disciplina e auto-disciplina e atitudes a cultivar. O CIPS criará espaços pedagógicos promovendo essas aprendizagens.

    2. Intermediar a relação com os agentes de Formação Profissional e agentes económicos obviando as dificuldades de comunicação

      As instituições parceiras não têm condições para desenvolver actividades de Formação Profissional nem intenção de contribuir para a segregação dos surdos em estruturas específicas. Este Projecto promoverá a integração dos surdos quer nas instituições regulares de Formação Profissional quer nas Empresas

    3. Conceber, adaptar e publicar teorias adequadas às actividades a desenvolver

      Muitas das actividades a desenvolver carecem de um suporte teórico por elaborar. O CIPS pretende ter um papel também nessa área investigando e agindo em simultâneo. Como farol nesta navegação teremos o capital de experiência acumulado pelas instituições parceiras, o recurso aos instrumentos teóricos já existentes e que carecem de adaptação e o apoio dos investigadores da equipa.


     
  5. Actividades programadas

    A prossecução dos objectivos enumerados será servida por um conjunto de 20 actividades que terão como público alvo, não só os utentes mas também toda a população que os enquadra e que estiver disponível: famílias, técnicos do CIPS e das entidades parceiras, instituições de Formação e Empresas.

    1. Actividades para os utentes

      Curso de Língua Portuguesa
      Curso Recorrente de Matemática
      Curso Recorrente de Língua e Linguística Gestual Portuguesa
      Curso de Desenvolvimento pessoal e social
      Curso de Eficácia no estudo
      Acção Formação de Técnicas de procura

    2. Actividades para as famílias

      Grupo de apoio familiar
      Acção Formação de Língua Gestual Portuguesa

    3. Actividades para as entidades parceiras em geral e seus técnicos

      Prospecção de ofertas de emprego e de lugares de formação profissional
      Acções de informação e divulgação sobre o CIPS
      Acção Formação de Língua Gestual Portuguesa
      Acção Formação «Como criar uma boa relação profissional»
      Acção Formação «Promoção da Disciplina»
      Acção Formação «Legislação laboral»

    4. Actividades de investigação e divulgação geral

      Estudo de perfis profissionais para surdos
      Criação/adaptação de instrumentos de avaliação vocacional para surdos
      Estudo diagnóstico dos perfis vocacionais dos beneficiários
      Página web www.cips.asurdosporto.rcts.pt ou www.cips.apecdap.org
      Folheto de divulgação do CIPS
      Publicação de textos técnicos


    Não cabe neste texto uma descrição pormenorizada das actividades aqui enumeradas, essa informação será disponibilizada posteriormente.

    O acompanhamento da actividade pode ser efectuado na página web do CIPS.

  6. Avaliação e conclusão

    O presente projecto tem uma duração prevista de 12 meses com início a 1 de Janeiro de 2004. Todos os relatórios das actividades serão editados na página web.
    Será efectuada e publicada uma avaliação geral em Dezembro de 2004.

    Consideramos o CIPS uma nova forma de abordar o problema da formação e integração profissional dos surdos, caracterizada essencialmente pelos seguintes aspectos:

    1. Intervenção global sobre o problema

      Consideramos que a complexidade das interacções da sociedade contemporânea não se compadece com intervenções avulsas e sectoriais. O CIPS considera as diversas componentes da vida dos beneficiários propondo-se efectuar a ponte entre elas e ainda o reforço de intervenção necessário.

    2. Forte interinstitucionalidade

      A ASP e a APECDAP combinam agora os seus esforços de uma forma concertada. propondo-se dinamizar um projecto em parceria com escolas, instituições de formação e empresas.

    3. Integração da experiência disponível

      O CIPS resulta da iniciativa das duas instituições que mais coerentemente têm acompanhado os Surdos do Norte do país nas últimas décadas. Estas instituições possuem uma experiência única e incontornável. Com este projecto potenciam essa experiência e contribuem para a sua sistematização num corpo teórico que sirva de alicerce para novas abordagens.


O CIPS é, a nosso ver, a resposta necessária a um problema evidente a quem está familiarizado com a nossa área de actividade. Pensamos contribuir para dar respostas a muitos surdos que reflectem na sua vida e a vêem como uma sucessão de derrotas na escola e no emprego e a ainda muitos outros que reflectem na sua vida e antevêm o mesmo futuro. Não vamos continuar a tolerar que o sucesso seja um acidente porque a derrota é a regra. Vamos dar oportunidade aos Surdos.


ASP E APECDAP, 15 de Outubro de 2003

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